Gostaria de comentar hoje, algo que tenho observado em muitas igrejas e eventos que tenho visitado. Sei que é um tema polêmico e que pode se até muito subjetivo, trata-se do volume alto que é imposto aos freqüentadores dos cultos, encontros, ou musicais.
Infelizmente instituiu-se a inverdade que diz que som alto é sinônimo de som bom, e ai temos um problema de saúde pública, pois esses ouvintes são vítimas indefesas de algo muito prejudicial à sua saúde, pois já constatei encontros musicais onde o nível de áudio girava em torno de 100 decibéis. Segundo dados da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia, o ouvido humano suporta até 90 decibéis. A partir daí, já existe a possibilidade de uma pessoa apresentar lesão, muitas vezes irreversível, levando a perda auditiva. O otorrinolaringologista Luiz Carlos Alves de Sousa, afirma que um indivíduo não pode permanecer em um ambiente com atividade sonora de 85 decibéis de intensidade por mais de 8 horas. Esse tempo cai para 4 horas em lugares com 90 decibéis; 2 horas em locais com 95 decibéis e 1 hora, aonde a intensidade chega a 100 decibéis.
Dependendo do período de exposição, sons de intensidades superiores a 85 decibéis podem causar "distúrbio de dupla perversidade, pois ao mesmo tempo em que compromete nossa capacidade auditiva para sons ambientais, pode causar ainda um sintoma contínuo e muito incômodo: o zumbido.
A lesão por ruído geralmente fere células do ouvido responsáveis pelas freqüências agudas. "E, são justamente nestas freqüências que estão concentrados os principais fonemas para o entendimento das palavras. Quando isto ocorre, o paciente deve procurar um otorrinolaringologista para fazer o diagnóstico médico".
Muitos operadores de som, seja por ignorância ou por imposição dos dirigentes, e eu já presenciei isso, trabalham com níveis excessivos de som, com o pretexto de que um número maior de pessoas precisa ouvir a mensagem. A falta de preparo leva esses operadores a utilizarem à potência máxima dos sistemas tentando obter maior inteligibilidade e em nossos dias onde as potências em conjunto com ótimos alto-falantes, proporcionam facilmente altos níveis de pressão sonora.
Desde o início a nossa intenção aqui foi, mesmo que de uma forma bem básica dar dicas a esses operadores de como obter o melhor som de seus sistemas, mesmo que eles sejam dos mais simples. E este nosso alerta de hoje vem de encontro a uma preocupação que tenho exatamente neste sentido, qualidade de áudio, significa fazer com que a voz chegue aos ouvintes o mais claro possível, e que os instrumentos também, além disso, possam ser reproduzidos com beleza e naturalidade sem agredir os ouvidos nem ficar acima do nível vocal.
Lembrem-se nossos ouvidos são nossas melhores ferramentas, use o bom senso, ouça bem os timbres antes de amplificá-los e tente reproduzi-los da maneira mais natural possível e como última dica, quanto menos agressão aos ouvidos, mais tempo a pessoa vai poder ficar ouvindo.
Samuel Mattos
Samuel é Operador de Áudio do Estúdio RTM. Formado em Rádio e TV, atua na área de operação de áudio desde 1983. Tem cursos de aperfeiçoamento em Operação de PA, Estúdio, Software, etc. Iniciou como auxiliar na Igreja Cristo Salva em São Paulo-SP, passando a técnico principal em 1986. Trabalhou com Oficina G3. Katsbarnéa e Troad.
Fonte: www.gospelmusiccafe.com.br