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Contra-baixo - Algumas considerações
Por Amauri Muniz

O contra-baixo é um instrumento que (normalmente) não se toca sozinho - ele precisa de uma banda para se encaixar. Em 99% (essa estatística é por minha con­ta) dos discos que ouvimos - talvez com a única exceção dos jazzistas - não se ouve solos de contra-baixo nem o instrumento sendo usado no acompanhamento de uma voz, fazendo a melodia da música. Mesmo assim, o baixista não é menos importante ou menos responsável pelo som da banda.

Já houve um tempo em que o contra-baixo era simplesmente o instrumento que tocava a nota fundamental do acorde a cada compasso - e só! Hoje, depois da evolução do jazz e da música pop, princi­palmente a partir dos anos 1960, o contra-baixo assumiu um papel mais melódico, além de rítmico e harmônico. Pessoalmen­te, poderia dizer que não conheço nada mais agradável do que um bom groove ou uma boa frase melódica do contra-baixo, atribuindo a uma música uma assinatura especial para a canção.

Tocar contra-baixo às vezes é um ato de contrição, é trabalhar pelos outros ou pelo coletivo. Se fizermos uma analogia espor­tiva, seria como jogar no meio-de-campo (futebol), como levantador (vôlei) ou como armador (no basquete). Isto não quer dizer que o baixista seja o pior músico da banda - ao contrário, cada vez mais os baixistas estão produzindo álbuns, fazendo arranjos e é muito comum encontrar um diretor mu­sical de um show lá no canto tocando seu contra-baixo e comandando tudo.

A FUNÇÃO DO CONTRA-BAIXO EM UMA BANDA

Em um período de louvor, o contra-bai­xo é indispensável, fazendo a ligação entre os instrumentos rítmicos e harmônicos. O contra-baixo, junto com a bateria, em­purra a banda para frente. O baixista tem a responsabilidade de tocar as notas nas cabeças dos compassos, que definem a função do acorde. Um contra-baixo fora do compasso pode fazer um estrago irreme­diável. Os outros instrumentistas, muitas vezes, têm mais facilidade de disfarçar uma dúvida tocando algo mais melódico. O bai­xista normalmente tem que apresentar a nota no primeiro tempo.

Por um lado, o contra-baixo também tem o poder de colocar balanço na levada, inserindo grooves interessantes, invertendo os acordes que fazem as ligações dentro da harmonia. Por outro lado, tente tirar o contra-baixo de uma música e você vai experimen­tar uma sensação muito esquisita, como se o chão saísse de debaixo dos pés. E é isso que muitas vezes o contra-baixo é: o chão.

PREENCHENDO ESPAÇOS VAZIOS

Numa banda, o contra-baixo e a bate­ria são parceiros. Quando há sintonia en­tre os instrumentistas, a unidade fica tão perfeita que chega a soar como um único instrumento. O espaço do contra-baixo se concentra nas tonalidades graves, exata­mente aonde os outros instrumentos não chegam. A banda conta com a atuação do baixista nessa região grave, causando um efeito interessante nas frases mais agudas e preenchendo o espaço vazio deixado pelos outros componentes da banda, sem competir pelo mesmo espaço


e desfrutando das oportunidades para suprir a necessidade de uma frase meló­dica fora da região dos graves.

É PRECISO ESTUDAR, SIM!

Tocar contra-baixo é algo específico. Um guitarrista pode "quebrar o galho" numa eventual necessidade, mas se alguém quer tocar contra-baixo, precisa estudar muito as técnicas específicas como o fazem para qual­quer outro instrumento. Investir dinheiro em aulas, vídeos, discos, revistas especializadas e, principalmente, seu precioso tempo. Lá se vão horas e horas criando intimidade com o instrumento para, na hora certa, aplicar com bom gosto tudo que já está "na ponta dos dedos".

POR DENTRO DO CONTRA-BAIXO

Procure adquirir um instrumento de afinação perfeita, som limpo e sem ruídos. E na medida em que você for se aperfeiço­ando, vai notar cada vez mais a diferença entre as centenas de modelos que existem até encontrar o seu.

Hoje, existem contra-baixos de quatro, cinco, seis, sete, oito ou mais cordas. Penso que os de seis cordas ou mais são mais indi­cados para solos ou performances pessoais. Na minha opinião, com um contra-baixo de até cinco cordas é possível obter um timbre mais interessante para a música pop. Sem querer criar polêmica aqui, essa é uma opi­nião que compartilho com alguns amigos que são grandes baixistas. Mas isso não im­pede ninguém de fazer seu disco solo com um baixo de quatro cordas ou tocar numa banda de música sertaneja com um contra-baixo de seis - isso é muito pessoal.

O fato do contra-baixo ser ativo ou passivo não o faz melhor ou pior, apenas diferente. Teoricamente, o contra-baixo ativo - que usa uma bateria para alimen­tar um circuito interno - tem o som mais forte e é mais sensível, oferecendo mais possibilidades de regulagem do timbre. Entretanto, existem contra-baixos, como o lendário Fender Jazz Bass, que são pas­sivos e têm um som forte e profundo, com muita sensibilidade na captação, enquan­to que alguns contra-baixos ativos têm uma resposta sonora totalmente irregular. A escolha entre os dois é só uma questão de adaptação. Dica: experimente muitos até achar o seu.

PARA FINALIZAR

O contra-baixo é um instrumento essen­cial numa equipe de louvor, tão importante quanto os outros, mesmo que algumas pessoas não saibam para que serve aquela "guitarrona que fica lá no fundo e nem faz solos". Quem gosta de contra-baixo tem o grande privilégio de desfrutar de um instrumento espetacular, tão apaixonante e divertido.

Ser comedido, pensar no grupo antes de pensar em si, ser servo, dar suporte aos ou­tros nos momentos em que eles precisam e, ao mesmo tempo, ser arrojado, audacioso, veloz, virtuoso, mantendo-se sempre bem preparado para os momentos em que uma maior habilidade for exigida. Isso é ser bai­xista, mas também poderia ser chamado de ser cristão, servo ou adorador.


Dicas práticas para o seu aperfeiçoamento

 Estude muito as técnicas variadas

Para a mão direita: O tradicional Pi­zzicato, sempre variando os dedos indicador e médio sem tocar duas notas com o mesmo dedo. O viciante Slap, com suas notas percutidas que preenchem a maioria dos espaços vazios - cuidado com os excessos! O Duplo Domínio, com notas toca­das no braço do instrumento com as duas mãos. Há muitas outras técnicas que existem por aí e são ferramentas prontinhas para serem usadas por você.

Para a esquerda: Todas as variações de movimentos entre os quatro de­dos além das escalas e dos arpejos.

 Procure aprofundar seu conhe­cimento de harmonia. Se possível estude um instrumento complemen­tar como piano ou violão. Ouça os baixistas que você admira e retire deles a inspiração para seus próprios grooves criativos e marcantes. Mas cuidado para não fazer simplesmen­te uma cópia, certo?

 Seja sensível e use o bom senso para aplicar as técnicas certas na hora certa, esteja sempre pronto para o silêncio das pausas ou o virtuosismo das semicolcheias dos Slaps - e por falar em Slaps, você tem direito a um estralo por mês e só, está bem? (Atenção: isso é só uma brincadeira!!!).


Amauri Muniz é músico multi-instrumentista, produtor e membro da Comunidade Vinha de Piratininga (SP)


 
 
 
 
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